Se à boca faltou alimento, à alma não faltou vontade. Se ao corpo faltou descanso, à alma não faltou dedicação. E se para o homem foram muitas as privações, faltam-lhe hoje os reconhecimentos. Anatoli Marchenko, um homem que falou mais alto que o sofrimento e cujos gritos de liberdade ecoaram para lá de todas as cortinas: consciencializando mentes, dilatando veias. Gritos que, por mãos de quem de sofrimento semelhante padecia, foram transformados em legado. Um nome que é muito mais que isso, logo, muito mais vezes deve ser evocado.
"Durante 117 dias, Anatoli Marchenko fez greve da fome na prisão da cidade de Tschistopoll, acabando por morrer em Dezembro de 1986. Na prisão e durante a greve da fome, enviou uma carta ao procurador-geral da URSS a protestar contra a violência da alimentação forçada, que comparou a tortura: "É esta a realidade deste método repugnante". Anatoli Tikhonovitch Marchenko nasceu em 1938 em Barabinsk, na Sibéria.
Filho de pais analfabetos, os seus problemas com a polícia soviética começam logo aos 20 anos: é várias vezes detido, julgado por crimes políticos, condenado por traição à pátria, internado em campos de trabalho. A sua primeira greve da fome tem lugar na célebre prisão de Vladimir. Em 1967, depois de mais uma libertação, publica o livro "O Meu Testemunho", sobre os campos de trabalho e o gulag.
Continua a manifestar-se publicamente, através dos jornais e de cartas enviadas a personalidades do regime, até ser de novo preso, na sequência da primavera de Praga, sobre a qual se pronuncia criticando o regime. Libertado em 1971, é exilado internamente, na Sibéria. Envia cartas a Kurt Waldheim, Willy Brandt e muitos outros europeus. Volta a ser preso, faz nova greve da fome e é mais uma vez exilado na Sibéria. Um novo livro "Viver como toda a gente" vale-lhe ser peso e condenado, em 1981, a 15 anos de encarceramento por propaganda anti-soviética. A greve da fome iniciada em 4 de Agosto de 1986 será a última: morre pouco antes do decreto de Gorbachev que decreta uma amnistia geral."
Retirado na íntegra de https://www.facebook.com/notes/parlamento-europeu-gabinete-em-portugal/s%C3%A9ries-sakharov-anatoli-marchenko/299589466735282

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