segunda-feira, 7 de novembro de 2011

1992: Mães da Praça de Maio

Envoltas numa aura branca em tom de véu, estas “mães” cujos filhos desapareceram durante o período de ditadura militar na Argentina fizeram do pranto força e da dor da perda um desejo ávido pela verdade, numa alquimia inerente ao ser mãe. Construíram um movimento que, hoje, passados cerca de trinta anos, continua a marcar presença todas as quintas-feiras na emblemática Praça de Maio. Um movimento que, hoje, relembra ao povo argentino e a todos nós, que há factos que devem ser sempre evocados. 

"No rescaldo da ditadura militar que vigorou na Argentina entre 1976 e 1983, foi reclamado ao Estado argentino o apuramento das responsabilidades pelo assassinato de cerca de 30.000 civis, assim como o desaparecimento de 10.000 pessoas, incluindo o sequestro de 500 bebés, colocados sob a "guarda" de famílias de militares afectos ao regime.

Foram muitas as mulheres que, manifestando-se na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada (Buenos Aires), vieram exigir notícias dos seus filhos e de outros familiares.

Todas as quintas-feiras, repetia-se o ritual do ajuntamento, junto ao palácio presidencial, de um grupo de mulheres, cuja imagem de marca era a de cobrirem a cabeça com um lenço branco. Essas mulheres exigiam às autoridades informações acerca do paradeiro dos desaparecidos no contexto da "Guerra Suja" desencadeada pelos militares fiéis à ditadura.

Esse grito de angústia não tardou em chegar aos quatro cantos do Mundo. Este ficava a saber que um movimento de mulheres decididas e corajosas, e que se auto-designava "As Mães da Praça de Maio", ia mantendo sob pressão as autoridades argentinas, enquanto não houvesse notícias dos seus familiares desaparecidos.

A enorme coragem, sempre demonstrada pelas Mães da Praça de Maio, acabaria por ser premiada em 1992, ao ser-lhes atribuído o maior galardão do Parlamento Europeu: o prémio Sakharov.

Foi Hebe Bonafini, a então porta-voz do Movimento que, de lenço branco na cabeça, se deslocou a Estrasburgo a fim de receber o apoio incontestado da grande casa da democracia europeia e, simultaneamente, exprimir o seu reconhecimento aos europeus por estes se associarem à defesa de uma causa justa. São suas as seguintes palavras:

" Deixámos as lágrimas em casa e fomos para a rua lutar pelos nossos filhos""


Texto retirado na íntegra do site https://www.facebook.com/notes/parlamento-europeu-gabinete-em-portugal/s%C3%A9ries-sakharov-as-m%C3%A3es-da-pra%C3%A7a-de-maio/302034303157465

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sábado, 5 de novembro de 2011

1990: Aung San Suu Kyi

Resiliência. Para a Física, é a propriedade de um material em regressar ao seu estado original após exposto a condições extremas. Para a Psicologia, é a capacidade de um indivíduo em manter ou recuperar a integridade emocional após situações adversas. Para Aung San Suu Kyi, é o sacrifício com sabor de um compromisso com o seu povo. Um compromisso que não há quatro paredes que contenham. Um compromisso com o qual todos nos comovemos. Um compromisso com a paz, a democracia e a liberdade.

"Aung San Suu Kyi nasceu na Birmânia em 1947. O seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), venceu as eleições gerais de 1990 em Mianmar. Quando deveria legitimamente assumir o cargo de Primeira-Ministra, foi detida pela Junta Militar no poder, numa tentativa de silenciar o seu apelo à democracia. Libertada em 1995, foi de novo detida em 2003, com mais 19 membros do seu partido. Recusando partir para o exílio, foi mantida em prisão domiciliária, proibida de comunicar com o exterior, separada da família.
Em Outubro de 2004, a União Europeia reforçaria as sanções contra a Birmânia, pelo facto de o regime não pôr termo à forte repressão sobre a LND e pela não libertação da prisioneira política. Em 2009 o Parlamento Europeu relançou uma campanha para a libertar, expondo na fachada do seu edifício em Bruxelas um gigantesco retrato com a frase " Free Aung San Suu Kyi now".

Suu Kyi foi libertada em Novembro de 2010, após sete anos e meio consecutivos de prisão domiciliária, num total de quase doze anos de cativeiro.

Distinguida em 1990 com o Prémio Sakharov e, no ano seguinte, com o Nobel da Paz, continua a preconizar o diálogo nacional, eleições livres, a democracia e o respeito dos direitos humanos no seu país."

Texto extraído na íntegra de:  https://www.facebook.com/notes/parlamento-europeu-gabinete-em-portugal/s%C3%A9ries-sakharov-aung-san-suu-kyi/301033183257577

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

1988: Nelson Mandela


Escrever o seu nome na História é, por si só, um feito considerável e reservado a poucos. Todavia, como se isso não bastasse, escrever um novo capítulo na história de um continente, de um povo, de uma nação e ainda mostrar ao mundo que, se calhar, este precisa de rever as suas tintas e canetas é possivelmente um feito exclusivo de Nelson Mandela. Com persistência. Benevolência. E com um toque de uma simpatia que as adversidades não dissiparam. “Madiba” escreve-se como uma lição. Imortal. Tomem nota.

"Figura maior da oposição às políticas de segregação racial na África do Sul, Nelson Rolihlahla Mandela é hoje, com 93 anos, um dos maiores símbolos vivos da luta pela liberdade.
Nascido a 18 de Julho de 1918, na região de Transkei, cedo iniciou o seu caminho de insurreição e resistência contra um regime opressor que discriminava consoante a cor de pele. Logo no primeiro ano de universidade, depois de se ter mudado para Fort Beaufort para estudar direito, Mandela é expulso após se envolver num boicote às políticas universitárias. Muda-se então para Joanesburgo onde termina o seu curso na Universidade Witwatersrand.
Em 1942, junta-se ao Congresso Nacional Africano (ANC), estando mais tarde envolvido na fundação da Liga Jovem do ANC. Apesar disso, só após a vitória do Partido Nacional, nas eleições de 1948, que apoiava e promovia as políticas de segregação, Nelson Mandela viria a ficar mais envolvido na luta contra o regime.
Em 1955, junta-se ao Congresso do Povo, que divulgou a "Carta da Liberdade" – um documento de referência para a causa anti-apartheid –, e em 1960, após anos de luta não violenta, Mandela decide recorrer às armas depois do massacre de Sharpeville, que matou 69 pessoas, tornando-se o comandante do braço armado do ANC, Umkhonto we Sizwe, o chamado "Lança da Nação". É preso em 1962, e condenado a prisão perpétua em 1964. Só viria a ser libertado em 1990, após 27 anos de clausura, tornando-se um ícone mundial da resistência da população negra.
Em 1991 é eleito presidente do ANC e, nas primeiras eleições livres, torna-se o primeiro Presidente negro da República da África do Sul, dedicando o seu mandato (1994-1999) à reconciliação interna e à transição para uma democracia inter-racial.
Retira-se da vida pública em 1999, continuando contudo, até aos dias de hoje, a ser um farol de referência em prol da defesa dos direitos humanos e a defender os seus valores e ideais através das suas organizações de beneficência."

Texto retirado na íntegra do link  https://www.facebook.com/notes/parlamento-europeu-gabinete-em-portugal/s%C3%A9ries-sakharov-nelson-mandela/300043833356512

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1988: Anatoli Marchenko


Se à boca faltou alimento, à alma não faltou vontade. Se ao corpo faltou descanso, à alma não faltou dedicação. E se para o homem foram muitas as privações, faltam-lhe hoje os reconhecimentos. Anatoli Marchenko, um homem que falou mais alto que o sofrimento e cujos gritos de liberdade ecoaram para lá de todas as cortinas: consciencializando mentes, dilatando veias. Gritos que, por mãos de quem de sofrimento semelhante padecia, foram transformados em legado. Um nome que é muito mais que isso, logo, muito mais vezes deve ser evocado.


"Durante 117 dias, Anatoli Marchenko fez greve da fome na prisão da cidade de Tschistopoll, acabando por morrer em Dezembro de 1986. Na prisão e durante a greve da fome, enviou uma carta ao procurador-geral da URSS a protestar contra a violência da alimentação forçada, que comparou a tortura: "É esta a realidade deste método repugnante". Anatoli Tikhonovitch Marchenko nasceu em 1938 em Barabinsk, na Sibéria.

Filho de pais analfabetos, os seus problemas com a polícia soviética começam logo aos 20 anos: é várias vezes detido, julgado por crimes políticos, condenado por traição à pátria, internado em campos de trabalho. A sua primeira greve da fome tem lugar na célebre prisão de Vladimir. Em 1967, depois de mais uma libertação, publica o livro "O Meu Testemunho", sobre os campos de trabalho e o gulag.

Continua a manifestar-se publicamente, através dos jornais e de cartas enviadas a personalidades do regime, até ser de novo preso, na sequência da primavera de Praga, sobre a qual se pronuncia criticando o regime. Libertado em 1971, é exilado internamente, na Sibéria. Envia cartas a Kurt Waldheim, Willy Brandt e muitos outros europeus. Volta a ser preso, faz nova greve da fome e é mais uma vez exilado na Sibéria. Um novo livro "Viver como toda a gente" vale-lhe ser peso e condenado, em 1981, a 15 anos de encarceramento por propaganda anti-soviética. A greve da fome iniciada em 4 de Agosto de 1986 será a última: morre pouco antes do decreto de Gorbachev que decreta uma amnistia geral."

Retirado na íntegra de https://www.facebook.com/notes/parlamento-europeu-gabinete-em-portugal/s%C3%A9ries-sakharov-anatoli-marchenko/299589466735282

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